COLHEITA DO ALGODÃO COMEÇA COM ALERTA EM MT

29 de junho de 2018 - 10:08

As máquinas ligam os motores e – aos poucos – dão início à colheita das lavouras de algodão. No maior estado produtor de pluma do país, o trabalho começou esta semana e deve seguir até o fim de setembro.

Nesta safra as plantações ganharam espaço em Mato Grosso. Ocupam quase 783 mil hectares, 25% a mais que no último ciclo. Consequentemente, a produção também deve saltar, chegando perto de 1,3 milhão de toneladas de pluma (22% acima do colhido anteriormente).

A dúvida de muitos agricultores é quanto ao rendimento das lavouras. A última projeção do Imea aponta para uma queda de 2,3% na produtividade média. Entre os motivos, o menor volume de chuvas durante o mês de maio, se comparado ao mesmo período do ano anterior. Em algumas fazendas, porém, a perda pode ser ainda mais expressiva.

Em Campo Verde, por exemplo, tem agricultor preocupado com os impactos causados pelo bicudo-do-algodoeiro. É o caso do produtor Cristiano Botan, que planta algodão em regiões diferentes no município. Somando tudo, ele destina pouco mais de 1300 hectares à produção de pluma. O problema é que em quase metade desta área (630 ha), a presença da praga está tirando o sono e a renda do agricultor.

A infestação nestes talhões é tanta, que o número de pulverizações para tentar controlar o inseto deve dobrar em relação à última safra, quando foram feitas 8 aplicações. Só que o gasto maior com inseticida não impediu que o rendimento fosse prejudicado. Onde o agricultor colheu 340 arrobas de algodão em caroço por hectare na safra passada, deve colher agora cerca de 40 arrobas a menos.

A maior presença do bicudo é reflexo do descuido de alguns produtores da região, segundo Álvaro Salles, diretor-executivo do Instituto Mato-grossense do Algodão (Ima-MT). Ele reforça que o controle da praga – considerada a inimiga número 1 da cotonicultura – exige atenção total e ação eficaz dos produtores durante todo o ciclo da cultura – incluindo o pós-colheita, quando os restos culturais devem ser destruídos. Quando isso não acontece, ele pontua, todas as fazendas da região podem sofrer as consequências, como é o caso da propriedade do Cristiano.

Fonte: http://blogs.canalrural.com.br