Sementes Piratas: fique atento!

6 de dezembro de 2017 - 10:00

Economizar na hora do plantio pode ser um péssimo negócio

Quando os custos de produção estão em alta e os preços da soja não são tão atrativos, o produtor busca cortar despesas e logo opta por sementes mais baratas. Perigo! Economizar na hora do plantio pode ser um péssimo negócio. Se o agricultor opta pela semente mais barata, não dando a importância necessária para a qualidade, compromete a safra.

Escolha sementes confiáveis, devidamente regulamentadas e com investimento em tecnologia para a melhor performance da sua lavoura.

O combate à pirataria de sementes é uma luta constante. Por não remunerar as empresas obtentoras de tecnologia, o mercado informal prejudica as pesquisas em biotecnologia e germoplasma que garantem o lançamento de novas cultivares. O uso indiscriminado de sementes salvas que não respeitam a legislação avança cada vez mais e, enquanto isso, o governo enfrenta dificuldades para fiscalizar e penalizar infratores.

“O agricultor tem que aprender a comprar semente. Muitas vezes ele pede a mais baratinha e não liga para a qualidade. A gente insiste que o produtor precisa valorizar o principal insumo da lavoura”, afirma Marco Alexandre Sousa, presidente da ABRASS (Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja). “Tem tanta coisa para dar errado na lavoura que, se o produtor começar com uma semente sem qualidade já compromete a safra.”

É preciso conscientizar o produtor brasileiro e valorizar as tecnologias para o segmento. O que garante a produtividade da soja é o germoplasma. A biotecnologia também. Se não houver incentivo à pesquisa de germoplasma, a tendência é cada vez mais menos empresas se dedicando à pesquisa no Brasil.

O presidente da ABRASS também contou que a disputa por preços de sementes está nivelando o mercado brasileiro por baixo: “O produtor compra a semente barata, não fica satisfeito e reclama que a semente em geral está ruim. E na maioria das vezes vemos sementes de qualidade sobrando no mercado”. Esse é um grande gargalo para o setor atualmente. O reflexo é que o comércio desleal de sementes está deixando muitas sementeiras com lucros mínimos. O sementeiro que produz semente de alta qualidade está sofrendo com a pequena margem operacional.

Algumas propostas de mudança na legislação sugerem pagamento de taxas para a utilização de sementes salvas aos obtentores das tecnologias. Segundo o presidente da Braspov, “Criar uma cultivar é caro e o retorno é incerto. Para desenvolver um programa de melhoramento eficiente, é preciso investimento em recursos humanos, conhecimento e tempo. E esse tempo faz com que o investimento inicial seja muito grande”.

As entidades do setor também reivindicam ao Ministério da Agricultura o aumento da fiscalização para combater a pirataria de sementes e regras mais seguras para atuar no setor. Os programas já estabelecidos no mercado precisam continuar. Essa é a base que explica os direitos de propriedade. Um investimento nessa área precisa de segurança jurídica, com uma certeza para o retorno do investimento.
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Fonte: http://sfagro.uol.com.br